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Belas Artes 100 anos (1925–2025) um século de criação em São Paulo e o legado de Paulo Cardim
Publicado: Sexta, 13 Fevereiro 2026 10:57
A História da Belas Artes é, em muitos sentidos, a narrativa de como a criatividade se transforma em linguagem, método e profissão ao longo do tempo. Ao completar 100 anos, a instituição celebra mais do que a passagem de um século: celebra a permanência de um compromisso com a formação, com a cultura e com a construção de repertório, aquele tipo de conhecimento que não nasce pronto, mas se lapida na convivência entre técnica, sensibilidade e pensamento crítico.
Fundada em 1925, a Belas Artes surgiu em uma São Paulo que acelerava o passo e aprendia a se reconhecer como metrópole. A cidade se reorganizava entre novas avenidas, bairros em expansão, efervescência cultural e um desejo claro de modernidade. As artes e a arquitetura viviam um período de reconfiguração, e a educação se afirmava como caminho para consolidar novas visões de cidade e de futuro. Desde cedo, a Belas Artes foi reconhecida por um ensino que valorizava fundamentos e rigor, sem perder de vista a dimensão humana da criação. Ali, o gesto artístico nunca foi apenas impulso: era também estudo, disciplina, história e projeto, uma combinação que ajudou a formar gerações capazes de traduzir ideias em formas, espaços, imagens e experiências, em sintonia com a vitalidade paulistana.
Ao longo do século XX, a Belas Artes acompanhou as viradas de São Paulo: a industrialização, o crescimento urbano, a diversidade cultural trazida por fluxos migratórios, e a transformação da cidade em um grande laboratório de linguagem visual. Novas estéticas e necessidades surgiram, e o que antes parecia restrito a alguns campos se abriu para múltiplas possibilidades: design, comunicação visual, urbanismo, novas tecnologias, além de novos modos de produzir e circular cultura. A instituição acompanhou essas mudanças preservando aquilo que lhe dá identidade: a qualidade de ensino, o tripé base “laboratório, bibliotecas, professor”, a compreensão de que o olhar educado, aquele que percebe nuance, contexto e significado, é tão importante quanto a habilidade de executar, especialmente em uma cidade que se reinventa todos os dias.
Nesse percurso, a memória histórica da Belas Artes também se faz de nomes que inauguraram caminhos. Pedro Augusto Gomes Cardim, seu fundador, simboliza a origem desse projeto educacional como legado de sonho e de trabalho: a convicção de que a formação artística e cultural exige método, disciplina e visão. Ao longo do tempo, esse legado foi preservado e transmitido, encontrando em Paulo Cardim, também um idealizador, a continuidade de um propósito: manter viva a essência da instituição e, ao mesmo tempo, ampliar sua capacidade de acompanhar novas épocas, estando afinado com novos desafios e novas formas de ensinar e aprender.
Chegando ao século XXI, a aceleração do mundo digital e a interdisciplinaridade tornaram ainda mais evidente que a formação criativa precisa ser sólida e, ao mesmo tempo, aberta ao novo. Em 2025, a Belas Artes se afirma como um espaço onde tradição e contemporaneidade conversam: a herança de um século sustenta o impulso de inovar. Não se trata de nostalgia; trata-se de continuidade. Instituições centenárias não chegam até aqui por acaso. Elas chegam porque aprenderam a trespassar épocas e a permanecer relevantes.
É no contexto desse panorama de tradição e transformação que se destaca a figura do dirigente Paulo Cardim, cuja relação com a Belas Artes soma 64 anos de atuação. Uma trajetória tão extensa não se mede apenas pelo tempo, mas pela qualidade de vínculo institucional: permanecer por mais de seis décadas em uma mesma casa significa ter atravessado diferentes ciclos educacionais, culturais e administrativos, contribuindo para que a instituição preservasse seus valores e, ao mesmo tempo, acompanhasse a evolução do país. Em termos históricos, Paulo Cardim constitui um tipo de liderança que se impõe naturalmente ao combinar memória institucional e visão de continuidade, um papel especialmente precioso em ambientes educacionais, onde projetos de qualidade se constroem com constância, decisões consistentes e compromisso com o longo prazo.
Entre os pontos centrais de sua atuação, destaca-se sua história ligada à Funadesp, organização na qual Paulo Cardim construiu uma trajetória de crescente responsabilidade e liderança. A partir de 2008, iniciou como representante da ANACEU, evoluindo para Conselheiro Titular em 2009, representando o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Sua dedicação foi reconhecida com a reeleição e promoção a 1º Vice-Presidente em 2013, consolidando sua presença estratégica na fundação até 2017.
Em maio de 2017, Paulo Cardim foi eleito Presidente da Funadesp, cargo que exerceu com o compromisso de fortalecer a missão institucional de apoiar o desenvolvimento do ensino superior. Embora tenha deixado a presidência em setembro do mesmo ano, sua saída não marcou o fim de seu envolvimento: desde então, permanece como membro do colegiado (representando a ANACEU com mandato indeterminado), uma escolha que reafirma seu compromisso com a continuidade e a orientação estratégica da fundação.
Nesse período, o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo também participou ativamente do sistema de bolsas de estudo da Funadesp, concedendo duas delas entre 2017 e 2018 e demonstrando como a instituição se integra aos objetivos maiores de acesso e qualidade que a fundação persegue. Assim, a atuação de Paulo Cardim na Funadesp não é apenas um capítulo de sua carreira: é expressão de um compromisso com a perenidade do ensino superior e com as estruturas que o sustentam.
A relevância desse aspecto está no fato de que entidades de apoio e fundações desempenham, com frequência, um papel estratégico no fortalecimento institucional: elas podem viabilizar projetos, ampliar capacidade de planejamento, apoiar iniciativas acadêmicas e oferecer sustentação para ações que exigem gestão organizada e visão de futuro. Ter exercido a presidência e, posteriormente, permanecer como conselheiro consultivo sugere uma trajetória de liderança baseada em responsabilidade, continuidade e orientação estratégica, um perfil essencial para estruturas que precisam equilibrar tradição e inovação. E ainda, com atuações ativas, também no CONAES, no Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior (atual Brasil Educação), no SEMESP, na CONFENEN, na ABMES; na ANACEU, na Comissão Técnico-Científica do INEP, entre outras.
É nesse cenário, de governança, articulação e propósito, que a atuação de Paulo Cardim se torna ainda mais significativa junto à Funadesp e o aponta para um perfil de liderança que compreende algo essencial: instituições educacionais não se constroem apenas com inspiração, mas com continuidade, estrutura, parcerias e compromisso com a qualidade. E é justamente aqui que a missão da Funadesp se articula, de modo direto, com o percurso de Paulo Cardim: “a Funadesp tem a missão de propiciar às Instituições de Ensino Superior (IES) a busca continuada da qualidade e relevância das atividades de ensino, de pesquisa, extensão, gestão acadêmica, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico.” Ao colocar essa diretriz no centro da atuação, Paulo Cardim reforça, na prática, uma visão institucional que atravessa a Belas Artes: a de que a excelência acadêmica se constrói com base, método e permanência, e se sustenta por meio de redes, parcerias e governança. Em termos simbólicos, é como se a experiência acumulada ao longo de décadas na Belas Artes encontrasse, na Funadesp, um campo ampliado de contribuição: apoiar, orientar e sustentar iniciativas que mantêm o Ensino Superior vivo, relevante e em aprimoramento constante.
Ao considerar a dimensão histórica da Belas Artes, a contribuição de dirigentes com longa permanência ganha um sentido ainda maior. Instituições centenárias não se sustentam apenas por bons momentos; elas atravessam crises econômicas, mudanças regulatórias, transformações culturais e redefinições do próprio conceito de ensino. Em cada fase, a presença de lideranças capazes de articular valores, preservar identidade e orientar escolhas ajuda a manter o rumo institucional. Assim, a trajetória de Paulo Cardim, tanto no vínculo com a Belas Artes quanto na sua atuação na Funadesp, pode ser entendida como parte da engrenagem que dá estabilidade para que o projeto educacional se renove sem perder sua essência.
Celebrar 100 anos é reconhecer que a Belas Artes atravessou um século contribuindo para formar profissionais e cidadãos com ética, sensibilidade, técnica e repertório. E, ao mesmo tempo, é reconhecer que essa história é feita por pessoas que sustentam a instituição no cotidiano, com trabalho, decisões, diálogo e visão de continuidade. A marca de 100 anos não é um mero número: é o resultado de gerações que ensinaram e aprenderam, criaram e preservaram, inovaram e consolidaram. Nesse sentido, a história da Belas Artes e a trajetória de Paulo Cardim se conectam em um ponto comum: a permanência com propósito, que transforma tempo em legado.
