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Brasília, 10 a 16 de Setembro de 2012 Edição n.º 474 - Ano 8 |
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Notícias:
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XIII Encontro Nacional de PG e Pesquisa e VII Encontro Nacional do FOREXP - Inscrições Abertas
XIII Encontro Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa e VII Encontro Nacional do Fórum de Extensão das IES Particulares - FOREXP Belo Horizonte, 20 e 21 de setembro de 2012
A Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular (Funadesp), o Centro Universitário UNA - BH, o Fórum de Extensão das IES Particulares (Forexp) e a Rede de Dirigentes de Pós-Graduação e Pesquisa das IES particulares (Rede PGP) promoverão nos dias 20 e 21 de setembro, integradamente, o XIII Encontro Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa e o VII Encontro Nacional do Forexp. O encontro, que será realizado na cidade de Belo Horizonte, têm como objetivo consolidar e integrar a pós-graduação, a pesquisa e extensão nas IES particulares, tendo como público-alvo dirigentes, coordenadores e integrantes desses setores das IES não estatais.
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II Encontro Regional Norte/Centro Oeste de Dirigentes de Graduação - Inscrições Abertas!
Realização: Funadesp, Rede DGP, CESUPA 13 e 14 de setembro de 2012 - Belém/PA
O Evento será desenvolvido em dois eixos temáticos: - Planejamento e Avaliação como elementos orientadores da Gestão e; - Evasão nos Cursos de Graduação Presenciais: diagnóstico e experiências para a superação do problema
Inscrições e maiores informações no site específico do evento: http://www.funadesp.org.br/fora/regional_no_dgp Outros esclarecimentos: FUNADESP - (61) 3322 2171/3322 8523
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II Encontro Regional Sul/Sudeste de Dirigentes de Graduação - Inscrições Abertas!
ealização: Funadesp, Rede DGP, Universidade de Passo Fundo - UPF 18 e 19 de outubro de 2012 - Passo Fundo/RS
O Evento será desenvolvido em dois eixos temáticos: - Planejamento e Avaliação como elementos orientadores da Gestão e; - Evasão nos Cursos de Graduação Presenciais: caracterização, causas e dimensões
Inscrições e maiores informações no site específico do evento: http://www.funadesp.org.br/fora/regional_se_dgp Outros esclarecimentos: FUNADESP - (61) 3322 2171/3322 8523
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Ranking estimula a excelência nas universidades, dizem especialistas
O RUF (Ranking Universitário Folha) ajudará a melhorar o ensino superior no país, afirma o presidente do Inep (instituto do Ministério da Educação responsável pelas avaliações no setor). Lançado ontem, o RUF é o primeiro ranking de universidades brasileiras. Analisou a qualidade da pesquisa e do ensino, a reputação no mercado de trabalho e a inovação nas instituições de ensino.
"É um instrumento que vai além do sistema atual e faz com que as instituições passem a buscar a excelência, e não apenas a fuga da supervisão", afirmou Luiz Cláudio Costa, que preside o Inep.
Ele se referiu ao mecanismo do Ministério da Educação chamado de IGC (Índice Geral de Cursos), que usa basicamente o desempenho dos alunos de graduação em uma prova (Enade), proporção de professores com doutorado e notas da pós-graduação.
No IGC, as instituição são classificadas em cinco níveis. As que ficam nos dois mais baixos passam por processo de supervisão do ministério.
"Como o ranking mostra com transparência quais são os indicadores avaliados, as instituições podem saber onde devem melhorar", disse Costa, ex-secretário de Ensino Superior do ministério.
Ele afirma que o indicador pode ser aprimorado se consultar também os coordenadores de pós-graduação das universidades, para saber quais escolas estão fornecendo bons pós-graduandos.
Segundo ele, algumas escolas podem ter alta produção científica, mas corpo de pesquisadores antigo, sem contribuição para a renovação da ciência no país.
| Fonte: Folha de São Paulo - 04/09/2012 |
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Ranking deve ser aprimorado, diz analista
Um dos principais pesquisadores de avaliação do país vê como incompleto o exame do ensino no Ranking Universitário Folha.
Tufi Machado Soares, da federal de Juiz de Fora, diz que RUF vai estimular competição entre universidades
O RUF (Ranking Universitário Folha) aumentará a competição entre as melhores escolas, mas deveria ter alguns dos conceitos revistos. Esse é o veredicto de Tufi Machado Soares, um dos principais pesquisadores de avaliações educacionais do país.
Soares diz que o quesito "qualidade de ensino" deveria ser alterado. O item vale 20% da nota da universidade no ranking, que é o primeiro do tipo a ser criado no país.
No RUF, foi consultada pelo Datafolha uma amostra dos cientistas mais produtivos no Brasil, para que eles citassem as melhores instituições de ensino em suas áreas.
"É um critério subjetivo, que até pode ser mantido, mas deveria ser complementado com outros", afirmou Soares, da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG).
O pesquisador afirma que poderiam ser incluídos o Enade (exame federal de universitários) e a taxa de retenção (proporção de alunos que não desiste da universidade).
A inclusão do Enade chegou a ser analisada pela equipe que criou o RUF, mas foi desconsiderada porque a USP não participa do exame e há a possibilidade de que notas baixas sejam, na verdade, fruto de boicote dos alunos.
A seguir, a opinião de Soares em relação ao ranking. (FÁBIO TAKAHASHI)
Folha - Qual sua avaliação sobre o ranking?
Tufi Machado Soares - A sociedade demanda informações sobre qualidade da educação. No caso do ensino superior, o ranking agora supre essa demanda. Haverá maior competição entre as universidades de ponta, que buscarão aparecer cada vez mais no ranking. Para as demais instituições, não creio que a disputa ocorra. Elas deverão privilegiar a melhoria dos indicadores com mais problemas.
Sobre os critérios técnicos do ranking, qual é sua opinião?
Eles mais ou menos seguem os principais rankings internacionais. Eu colocaria um pouco mais de peso em inovação [que vale 5% da nota da universidade no RUF], que também é uma demanda da sociedade e que cresce. Mas a principal sugestão que faço é a alteração do critério de qualidade de ensino. Ela foi levantada por meio da opinião dos especialistas. É um critério subjetivo, que até pode ser mantido, mas deveria ser complementado com outros. Especialistas não conhecem todas as escolas e tendem a repetir o que veem na produção científica. Há dados objetivos que podem ser usados, como o Enade e o quanto a universidade consegue manter o aluno, que é a taxa de não evasão. De qualquer forma, é importante que o ranking tenha aberto o debate. Muitas universidades vão reclamar, outras vão elogiar. É do jogo.
A USP não participa do Enade. Como contornar isso?
Isso é um problema. Mas é possível contorná-lo.
Além do aumento da competição entre as universidades, o sr. vê outros impactos que o ranking pode trazer? Vocês usaram indicadores claros para avaliar pesquisa [como número de publicações por professor], que deveriam ser incorporados pelo Ministério da Educação.
Raio-X - Tufi Machado Soares
FORMAÇÃO Graduação em engenheira elétrica pela Universidade Federal de Juiz de Fora; doutorado em teoria matemática de controle e estatística pela PUC-Rio; pós-doutor em estatística pela UFRJ (Universidade Federal do Rio do Janeiro)
CARGO Coordenador de pesquisa do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), onde também é professor de graduação
ESPECIALIDADES Análise de resultados das avaliações educacionais em larga escala e de políticas públicas na área da educação
| Fonte: Folha de São Paulo - 05/09/2012 |
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TI na Educação terá crescimento acelerado
Um estudo publicado pela Frost & Sullivan analisou as oportunidades emergentes de tecnologia para o setor da educação, traçando um panorama deste mercado no Brasil, explorando seu atual cenário, potencial de crescimento e contextualizando os recentes esforços de empresas de TI para atuar nesse mercado.
O estudo mostrou que as instituições de ensino estão cada vez mais utilizando tecnologias para preparar melhor seus professores e estudantes, além de fazer uma gestão planejada com a ajuda de softwares específicos. Essas ações tem atraído a atenção de diversas empresas. Neste sentido, há no setor um movimento não apenas de consolidação de empresas focadas especificamente em educação, como a Moodle e Blackboard, mas também de entrada de empresas de TI, como Microsoft e Google.
No estudo foram também realizadas entrevistas com colégios e universidades para compreender o grau de adoção de determinadas tecnologias no setor e prioridades de investimento em TI. Segundo os resultados obtidos, uma das tecnologias que merece destaque são os tablets, que já foram adotados por 27% dos entrevistados, enquanto 36% disseram que pretendem adotar esse dispositivo nos próximos dois anos. Tais números evidenciam o reconhecimento dos tablets como uma importante ferramenta de ensino, principalmente no que diz respeito à interatividade, acesso a conteúdo e economia de papel.
Outra tecnologia que, segundo o estudo, tende a crescer nos próximos anos é a educação à distância, que deve ser adotada por 18% dos respondentes nos próximos anos.
Ainda de acordo com a pesquisa, 50% das instituições entrevistadas afirmaram que possuem um área de TI dentro de suas instituições e somente 9% afirmaram que não possuem uma área de TI.
Segundo Maurício Chede, analista da Frost & Sullivan, o “Brasil está dando importantes passos para cada vez mais melhorar seu ensino, através de práticas como adoção de educação à distância, além de adotar tecnologias que ajudam os professores a desenvolverem aulas mais interativas para seus alunos. Essas são ferramentas a mais para aprimorar a qualidade de ensino oferecido, porém ainda existem diversas barreiras que o país precisa atravessar para que possa ser considerado uma referência na educação”.
| Fonte: TI Inside on line - 05/09/2012 |
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Brasileiros estão entre os mais otimistas em relação ao futuro da educação, mostra pesquisa
Salamanca (Espanha) – Nos países das Américas Central e do Sul, a população acredita que a educação irá melhorar na próxima década, mas muitos cidadãos ainda dão “nota vermelha” para os sistemas locais de ensino. É o que aponta a pesquisa Olhares sobre a Educação Ibero-Americana, divulgada hoje (6) pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). No levantamento, foram entrevistadas mais de 22 mil pessoas em 18 países da região, incluindo o Brasil.
Os brasileiros estão entre os mais otimistas em relação ao futuro da educação no país nos próximos dez anos. Para 62% dos entrevistados, a educação vai melhorar, 26% acreditam que ficará no mesmo patamar e 9% avaliam que irá piorar. Apenas o Paraguai tem um resultado melhor: naquele país, 64% esperam avanços na área. Já os hondurenhos são os que menos acreditam no futuro do sistema educacional de seu país: só 26% acham que a situação irá melhorar, enquanto 37% acreditam que ficará no mesmo nível e 23% preveem piora. Em todos os países, o percentual de pessoas que avaliam de forma positiva o futuro da educação é superior ao daquelas que têm uma percepção negativa.
“Esse otimismo do cidadão é um fator de enorme pressão aos sistemas educativos. Expectativas positivas contribuem fortemente para que a educação funcione”, avalia o secretário-geral da OEI, Álvaro Marchesi.
Por outro lado, os brasileiros estão entre os que têm a pior avaliação sobre a qualidade do ensino público no seu país. A nota atribuída pelos entrevistados, em uma escala de 0 a 10, foi 5,2 pontos, a quarta mais baixa entre os países pesquisados, ao lado de Honduras. O país que, na avaliação dos entrevistados, tem o pior sistema de ensino é o Chile, cuja nota foi 4,6. Os mais satisfeitos são os costa-riquenhos e os nicaraguenses, que atribuíram nota 7 à educação.
O relatório destaca, entretanto, que os resultados devem ser analisados com prudência, já que a percepção dos cidadãos está ligada às circunstâncias sociais, econômicas e políticas de cada país no momento em que a pesquisa foi feita. “Estamos analisando expectativas e não indicadores concretos, que muitas vezes não correspondem às opiniões da população”, destacou Marchesi.
Os entrevistados também elegeram o que consideram prioridades para a educação avançar. Em primeiro lugar, aparece melhorar a qualidade das instalações, com 45% das respostas. Na sequência, estão melhorar a formação do professor (41%), melhorar o salário do professor (29%) e incorporar as novas tecnologias no ensino (28%). Só 9% acham que aumentar a jornada escolar diária é importante para fortalecer a aprendizagem. Cada entrevistado pôde marcar mais de uma opção.
O Brasil foi o país que registrou o maior o percentual de pessoas que consideram o aumento dos salários dos professores uma medida prioritária para melhorar a educação: 57% marcaram essa opção, contra 29%, considerando a média das respostas de todos os países latino-americanos. O percentual de brasileiros que avaliam como bom ou muito bom o nível de conhecimento dos professores sobre os temas que lecionam foi 81%, acima da média da região (77%). Os professores mais mal avaliados foram os do Chile (58%). Na outra ponta, estão os da Colômbia (90%).
O relatório completo está disponível, em espanhol, na página da OEI na internet.
| Fonte: Agencia Brasil - 06/09/2011 |
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Que falta de educação
A ausência de um plano consistente para o ensino pode comprometer o crescimento sustentado dos próximos anos. É hora de mudar.
Por Carla JIMENEZ e Luis Artur NOGUEIRA
O Brasil tem aprendido, a duras penas, que é preciso planejar o longo prazo de setores estratégicos para que o futuro não venha a sabotar as conquistas do presente. Foi só depois do apagão do setor elétrico, em 2001, por exemplo, quando o País ficou às escuras por meses a fio, que foram estabelecidas metas de geração de energia para as próximas décadas. O obstáculo foi superado, mas o governo está longe de ter aprendido a lição de que é necessário plantar, com antecedência, para colher os frutos na hora certa. Uma das áreas que mais refletem essa falta de sintonia é a de educação.
Às vésperas da crise de 2008, o mercado já havia importado o termo “apagão” para o mercado de trabalho, apontando o risco que o País corria de faltar mão de obra, diante do crescimento de 5,1% do PIB naquele ano. Os anos negros da economia mundial, a partir de 2009, atenuaram esse quadro, mas o fantasma volta a rondar o Brasil novamente. Se o plano da presidenta Dilma Rousseff de colocar em andamento as obras de infraestrutura a partir do ano que vem for bem-sucedido, é inevitável que os gargalos da educação voltem a ficar escancarados. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado no fim do ano passado, mostrava que o País teria uma falta de 150 mil engenheiros já em 2012.
Mas a economia entrou em marcha lenta e adiou esse déficit para o ano que vem. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, admite as dificuldades, mas garante que há mudanças em curso para sanar esse quadro. “Ficamos muito tempo com um baixo crescimento, então não havia uma demanda forte por mão de obra”, disse ele à DINHEIRO. (veja entrevista ao final da reportagem) “Temos um déficit nos cursos de engenharia, mas estamos estimulando a criação de novos cursos.” O problema, porém, é muito mais embaixo. A começar pelo funil do ensino fundamental. De cada 20 estudantes que entram no ensino básico, apenas dez completam o ensino médio, observa Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna.
“E desses dez alunos, apenas dois sabem o básico da língua portuguesa e somente um tem o conhecimento mínimo necessário de matemática”, diz Viviane. “Estamos jogando o nosso principal capital, o humano, no lixo.” A situação caótica, além de óbvias implicações sociais, gera gargalos econômicos para a sexta maior economia do mundial, que almeja crescer acima de 4% de forma sustentada. Em 2012, com uma expansão do PIB inferior a 2%, o mercado de trabalho já carece de mão de obra qualificada. E se a economia decolar nos próximos anos, como faremos? A conclusão de especialistas ouvidos pela DINHEIRO é simples: falta um projeto de longo prazo para a educação.
“Se o PIB crescer 4% em 2013, teremos um problema sério”, diz Ryon Braga, da Hoper Consultoria, especializada em gestão universitária, de Foz do Iguaçu, no Paraná. “E não há soluções de curto prazo.” Um sintoma da falta de planejamento é o desespero que acomete as autoridades a cada avaliação nacional. Embora o País tenha avançado em alguns aspectos, a qualidade do ensino ainda deixa o Brasil anos-luz de outros países. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado no mês passado, é a mais recente ducha de água fria. A nota média do País aumentou apenas 0,1, chegando a 3,7 pontos.
AVALIAÇÃO MEDIANA O resultado decepcionante levou o ministro Aloizio Mercadante a recolocar em pauta o debate sobre a mudança curricular do ensino médio, que prepara os alunos para o vestibular, incluindo o projeto de estender o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para avaliar os atuais cursos dessa categoria, o que demandaria um custo extra de R$ 17 milhões para o ministério. Outro objetivo é agrupar todas as disciplinas em quatro áreas do conhecimento: matemática, linguagens, ciências da natureza e ciências humanas. O debate, que conta com a participação dos governos estaduais, se dá sobre diretrizes já aprovadas pelo MEC no fim do ano passado.
A questão é como implementá-las. “O professor formado em química não foi preparado para dar aula de matemática e física”, afirma Priscila Cruz, diretora do Todos Pela Educação. “A discussão da formação docente deveria ser anterior ao debate curricular.” Enquanto isso, o governo tenta adiar o debate sobre o aumento de recursos para a educação, preocupado com o peso que a área pode ter no Orçamento. Na quarta-feira 5, porém, sofreu uma derrota na Câmara Federal. Os deputados encaminharam o projeto de lei que cria o Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê aumentar de 5,1% para 10% do PIB os recursos destinados à área, para análise do Senado, sem passar pelo plenário da Câmara.
Reduzir o problema a dinheiro é ter uma visão muito simplista do problema, alerta Viviane Senna. “Mais recursos são sempre bem-vindos, mas a sua eficácia depende de como eles são geridos.” Paula Caleffi, reitora da universidade Estácio, concorda. “Meu receio é que, ao se aprovar a taxa de 10% do PIB, a sociedade ache que o problema estará automaticamente resolvido.” Pior ainda é ver o governo atrelar o aumento das verbas para o setor aos royalties do petróleo do pré-sal, que só devem aparecer dentro de alguns anos. Os especialistas apontam que o País deveria debater, desde já, a melhoria nos salários dos professores, uma forma de elevar a qualidade dos docentes.
“Os professores ganham, em média, 40% menos que outros profissionais que têm a mesma escolaridade”, diz Priscila, da Todos Pela Educação. Como um efeito dominó, alunos são malformados e ingressam numa faculdade levando para as salas de aula carências que terão de ser supridas pelos professores universitários. “O ensino superior perde tempo tentando consertar as deficiências que os alunos trazem do ensino médio”, diz Paula, da Estácio. “Isso acaba atrasando a qualidade dos formandos como um todo.” A política de cotas, que prevê 50% das vagas das universidades federais para os estudantes de escolas públicas, tende a agravar esse problema.
“Cota não é algo que corrija um problema, é algo que remenda um problema”, afirma Viviane Senna. Além da falta de qualidade, o número baixo de vagas para o ensino médio, técnico e superior é outra armadilha do atual sistema educacional. Hoje há um milhão de alunos matriculados em cursos técnicos, mas o País precisaria de três milhões para dar conta da demanda do mercado (veja quadro na pág. 38). “Os países que fizeram a revolução na educação, como a Coreia e Cingapura, investiram em estudo técnico, visando um melhor aproveitamento da mão de obra qualificada”, diz Ryon Braga, da Hoper Consultoria. Revolução, pelo visto, é uma palavra que ainda está fora do dicionário brasileiro quando o assunto é educação.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, diz que as empresas têm que ajudar a qualificar o trabalhador. Ele reconhece problemas no ensino brasileiro, mas diz que as mudanças já começaram.
O Brasil tem uma urgência para formar mão de obra. Dá para esperar até surgir o dinheiro do pré-sal?
Não precisamos esperar. Nós já temos um programa forte, que é o Pronatec, para o ensino técnico. Temos hoje 700 mil alunos e nossa meta é chegar a oito milhões em 2014. Temos também a Bolsa Trabalhador, em que a empresa consegue financiamento com juros de 3,5% ao ano para qualificar seus trabalhadores.
Em quanto tempo as empresas não precisarão mais investir seus recursos para suprir essa carência do mercado?
Estamos fazendo parcerias com as empresas. Nós queremos que elas formem. Isso ajuda a aumentar a produtividade da indústria e ajuda o Brasil a ter uma mão de obra mais qualificada.
Mas esse treinamento é fruto de uma educação deficiente...
De fato, o ensino médio no Brasil ainda é muito deficiente. Mas, apesar disso, os 150 mil melhores alunos do ensino público têm uma média superior à média do ensino privado. Nós ampliamos o acesso à educação superior com o ProUni, com um milhão de bolsas, temos 500 mil bolsas no Fies, que é o financiamento universitário, e agora teremos metade das vagas das universidades federais para os alunos provenientes da escola pública.
Uma parte dessa melhoria depende do aluno, mas outra parte depende do professor, da estrutura, certo?
Exatamente. As duas coisas estão acontecendo. Os alunos estão mais motivados, mais exigentes. Os professores vão ser cobrados pela capacidade de colocar seus alunos nas universidades, como era com os cursinhos privados no passado.
O que vai acontecer com a mão de obra, se o Brasil crescer 4% nos próximos anos?
Este é um bom problema. Pior foi nas décadas passadas. Hoje, como há demanda, você tem a iniciativa privada indo atrás, e o setor público expandindo as universidades federais. A mudança já está em andamento.
Mas hoje as empresas já têm dificuldade em contratar. Em quanto tempo essa situação pode mudar?
Como ficamos muito tempo com baixo crescimento, não havia uma demanda tão forte. Agora temos um déficit do curso de engenharia, por exemplo. Estamos estimulando estas profissões e oferecendo bolsas no Exterior para 101 mil estudantes.
O orçamento do Ministério da Educação aumentou muito nos últimos anos, mas o gasto público total ainda está em menos de 6% do PIB. Tem esse projeto de aumentar para 10%, e o sr. é contra...
Não é que eu seja contra. É que não dá para aumentar os gastos e não apontar a fonte de financiamento. Nós defendemos que todos os royalties do petróleo e metade do fundo social do pré-sal sejam destinados à educação.
| Fonte: Revista Isto é Dinheiro - ed. 779 - 10/09/2012 |
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Uma nova educação, artigo de Fernando de Holanda Barbosa Filho
Fernando de Holanda Barbosa Filho é pesquisador e economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas.
Ao longo das duas últimas décadas, o Brasil realizou uma revolução educacional calcada na universalização do acesso ao ensino fundamental. Hoje, a taxa de matrícula líquida para a população entre 6 e 14 anos de idade está próxima dos 95%. Para os jovens entre 15 e 17 anos essa taxa já atinge os 50%. Este processou gerou e continua gerando diversos frutos. A maior escolaridade média que daí resultou explica parcela importante da redução da desigualdade. Ela também foi responsável por cerca de 30% da queda da taxa de desemprego e 60% da redução da informalidade do mercado de trabalho.
Embora os resultados sejam positivos e mostrem o acerto dessa política, ainda existem diversos desafios a serem ultrapassados no setor de educação. Um deles é a incorporação à escola dos restantes 5% da população entre 6 e 14 anos de idade que estão fora dela, mudança fundamental para garantir o futuro dessas crianças e do País.
A elevação da taxa de matrícula líquida para os indivíduos entre 15 e 17 anos é igualmente tarefa chave e ainda mais difícil. Hoje, pelo menos 50% de nossos jovens estão trabalhando sem ao menos completarem o ensino médio. Isto os coloca em uma condição desfavorável no mercado de trabalho, pois eles competem, em um grupo educacional com elevada taxa de desemprego, por um emprego de baixa qualificação e que paga baixo salário. No futuro, essa situação tende a piorar. As novas tecnologias de produção demandam trabalhadores mais qualificados (escolarizados), o que reduz as possibilidades de emprego dos jovens que não concluem o ensino médio, visto que eles carecem da qualificação necessária para competir nesse mercado.
A melhora da qualidade do ensino no Brasil é outro desafio. As notas de nossos alunos no Pisa (Programme for International Student Assessment), uma avaliação internacional dos estudantes, colocam o Brasil entre os piores países que participam do teste. Um capital humano de qualidade é fundamental para um país que, com a elevação da renda per capita, demandará cada vez mais do setor serviços, intensivo em mão de obra e capital humano. Caso o nosso mercado de trabalho Brasil não ofereça capital humano de qualidade, nos especializaremos em serviços com baixo valor agregado e, consequentemente, salários reduzidos. Esta situação vai limitar a capacidade de uma parcela importante de nossa população de melhorar seu padrão de vida.
Infelizmente, a melhoria da qualidade de nossa educação não depende da simples elevação dos recursos destinados à educação. O aprendizado dos alunos não está diretamente relacionado ao gasto por aluno. Por isso, necessitamos de uma segunda revolução educacional: uma mudança na gestão educacional, com modificação no sistema de incentivos aos profissionais de ensino. Um bom começo seria o fim da isonomia salarial, associado à implantação de uma política salarial cujo principal componente seja mérito, e não o tempo de serviço.
| Fonte: O Globo - 10/09/2012 |
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O verdadeiro gargalo de engenheiros
Abrir mais vagas não adianta, nossos alunos têm limitações. A maioria não tem habilidades mínimas em matemática. O resultado é a evasão dos cursos.
Fernando Paixão e Marcelo Knobel
Entre as questões em debate em educação, destaca-se hoje a quantidade de profissionais em áreas de ciência e tecnologia.
Muitos propõem formar mais engenheiros e mais professores de química e física criando vagas no ensino superior para essas carreiras.
Essas propostas são importantes, mas não levam em consideração limitações dos alunos.
O que de fato limita a qualidade e o número de formandos nas áreas de ciências exatas e tecnológicas? Dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) apontam que a maior restrição está no número de jovens com habilidades mínimas em matemática.
Os resultados de avaliações internacionais tendem a repercutir entre nós apenas pela constatação de que estamos nas últimas colocações. Mas o Pisa vai muito além: fornece dados valiosos sobre o desempenho dos jovens de 15 anos.
O exame de 2009 foi feito por aproximadamente 470 mil alunos de 15 anos pelo mundo. A amostra representa 26 milhões de alunos de 65 países. Cada exame avalia três áreas -leitura, matemática e ciências- e estabelece seis níveis de competência.
Para uma ideia do que significa um aluno estar em cada um desses níveis (ou abaixo de todos), veja ao lado exemplos de questões similares às aplicadas em matemática.
Os dados mostram que 88,1% dos alunos não chegam ao nível 3 -não sabem, portanto, ler gráficos. Além disso, 96,1% não conseguem explicar o que ocorre numa troca de moeda se a taxa mudar. Mais do que impossibilitados de estudar economia, poderiam ser enganados com facilidade em qualquer outro país.
A distribuição limita o percentual dos nossos jovens em áreas que exijam competências mínimas em matemática, classificados do nível quatro para melhor. Só 3,8% dos participantes brasileiros do Pisa alcançaram esse desempenho.
Considerando que a população de jovens com 15 anos no Brasil é de aproximadamente 3,2 milhões, teríamos, no máximo, cerca de 122 mil jovens aptos para às carreiras de exatas. Esse número ainda cai no final do ensino médio, porque evidentemente há estudantes com habilidades mínimas que optam por outras carreiras profissionais.
Em 2011, o Ministério da Educação anunciou que dobraria as vagas de engenharia. Mas, em 2009, os 1.500 cursos existentes ofereciam 150 mil vagas ao ano, tinham 300 mil matriculados (embora as vagas permitissem até 750 mil, já que o curso dura cinco anos) e formaram 30 mil.
Uma alta evasão, para a qual contribui o déficit de habilidade matemática que o Pisa evidencia. Com conhecimentos tão pequenos de matemática, não surpreende que os alunos tenham dificuldades já no ensino médio. Um exemplo: para acompanhar gráficos nas aulas de física.
A Austrália tem 38,1% dos seus alunos no nível quatro ou superior na avaliação de matemática do Pisa; o Canadá, 43,3%; a Coreia do Sul, 51,8%. O Brasil tem 3,8%. Esses países têm proporcionalmente pelo menos dez vezes mais alunos aptos para as áreas de exatas e tecnológicas. Mesmo com uma população bem menor, a Coreia pode formar muito mais engenheiros do que nós.
A política educacional dos últimos 20 anos tem sido colocar os alunos na escola, uma etapa importante. Hoje, o desafio é melhorar, e muito, a qualidade do ensino fundamental. No momento em que se discute um novo Plano Nacional de Educação, deveríamos propor ações concretas para atacar a raiz do problema.
- FERNANDO PAIXÃO, 63 físico, é professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp - MARCELO KNOBEL, 44, físico, é professor do Instituto de Física Gleb Wataghin e pró-reitor de graduação da Unicamp
| Fonte: Folha de São Paulo - 10/09/2012 |
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Força-tarefa para formar engenheiros qualificados
Quantidade e qualidade são os principais desafios que o Brasil deve enfrentar nos próximos anos quando o assunto é a formação de engenheiros. Com altas estimativas de demanda e pouca oferta de mão de obra qualificada, muitas instituições de ensino já apostam na criação de cursos para esses profissionais. Agora, é a vez de organizações sem fins lucrativos como o Instituto de Engenharia e o Sindicato dos Engenheiros de São Paulo também investirem na formação da área.
De acordo com um estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil precisará formar, até 2020, 95 mil engenheiros por ano para sustentar um crescimento econômico anual por volta dos 4% (uma expansão de 2,5% exigiria mais de 70 mil engenheiros por ano). Pelo mais recente levantamento da Associação Brasileira de Ensino de Engenharia (Abenge), o número de formandos na área em 2010 foi de 41 mil.
O déficit de engenheiros, no entanto, não é o único dado que se destaca no levantamento. Ainda segundo o Ipea, menos de 30% dos formados em engenharia em 2008 saíram de universidades consideradas de alto desempenho, com conceito 4 ou 5 no Ministério da Educação (MEC). A maior parte dos graduados (42%) formou-se em instituições com conceito 1 ou 2.
Especialistas concordam que a graduação em engenharia, mesmo nas escolas mais renomadas, ainda não oferece o tipo de conhecimento de gestão e negócios que o mercado exige hoje. "Existe uma diferença entre o que as empresas precisam e o que a universidade ensina", diz Denise Retamal, diretora executiva da consultoria de recrutamento Rhio’s, especializada nas indústrias de mineração, petróleo & gás, energia, construção civil, engenharia e infraestrutura. Para a consultora, o que mais falta atualmente são profissionais que aliem conhecimento em uma especialidade e experiência no mercado, além de visão estratégica de negócios e idiomas estrangeiros.
Para Vanderli Fava de Oliveira, diretor de comunicação da Abenge, só agora os cursos de engenharia estão começando a perceber a necessidade de transmitir aos profissionais habilidades relacionadas à gestão. "As escolas estão verificando que, além de formar a base tecnológica, precisam também ensinar a gerir essa tecnologia", explica.
De acordo com Oliveira, a velocidade com que as técnicas ficam obsoletas cria não só a necessidade de se manter atualizado constantemente, mas torna fundamental saber administrar a tecnologia - e não apenas usá-la. "O que falta é negócio, é como ganhar dinheiro com engenharia", simplifica Hélio Guerra, presidente da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE) e ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP).
Dessa demanda surgiu a Escola Superior de Negócios em Engenharia (Esne), fruto de uma parceria do Instituto de Engenharia, organização sem fins lucrativos fundada em São Paulo em 1916, e a FDTE, organização criada por Guerra e um grupo de professores da Escola Politécnica da USP nos anos 1970. Com aulas iniciadas em agosto, a escola oferece cursos de extensão em negócios públicos e privados em engenharia. Os temas abordados incluem gestão de projetos, legislação, finanças e análise de risco. "São assuntos que não são vistos na graduação", diz Guerra. Os programas são voltados para engenheiros que já possuem experiência e buscam se capacitar para assumir cargos de liderança, além de profissionais de outras áreas que participem de projetos.
Já o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) resolveu focar na graduação para lidar com os desafios de qualidade na formação em engenharia. No fim de 2009, começou a desenvolver o projeto do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), fundado no ano passado. Com sede em São Paulo, começa neste semestre a promover cursos de extensão em áreas específicas como propriedade intelectual e gestão ambiental. Mas o grande projeto virá no ano que vem, quando a instituição começará a oferecer um curso de graduação em engenharia da inovação. "Vimos que a necessidade de profissionais que podem contribuir para o desenvolvimento de inovação de produto e de processo seria um gargalo para qualquer projeto de desenvolvimento do país", diz Antonio Octaviano, diretor-geral do instituto.
O curso pretende ter uma base mais generalista do que os outros cursos de engenharia. "O profissional precisa ter um perfil diferente tanto do que tínhamos antes quanto do que ainda formamos, que é o do engenheiro ultraespecializado", explica.
Com a intenção de desenvolver uma relação permanente com o mercado, o currículo do curso se concentra em gestão, abrange áreas como a comunicação e quer promover a participação de professores visitantes de outros países. A decisão de focar a atuação do instituto na graduação veio da necessidade de formar um profissional mais flexível, capaz de transitar entre diferentes áreas - demanda que os idealizadores viram no mercado. "A evolução técnica é muito intensa. É preciso ter a competência para transitar em diferentes áreas com mesma qualidade."
| Fonte: Valor Econômico - 10/09/2011 |
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Diga-me onde estudas...
Ranking universitário criado pela Folha tem problemas graves de metodologia, mas é bom para chacoalhar a academia
Jornalista adora lista dos 10 ou 20 melhores em alguma coisa, votação de "top isso", "top aquilo". Milionários, capas de discos, crimes violentos, escândalos de corrupção, praticamente tudo já virou mote de rankings, sempre montados com altas doses de subjetividade.
Na segunda-feira passada, a Folha lançou mais um: o "RUF", sigla que parece latido de cachorro e abrevia "Ranking Universitário Folha". A listagem provocou bastante barulho no meio acadêmico -o jornal recebeu mais de 300 mensagens em apenas três dias.
As críticas mais contundentes foram aos parâmetros adotados para compor as notas em pesquisa, inovação, qualidade de ensino e avaliação do mercado, especialmente nos dois últimos itens.
A medida da "qualidade de ensino" foi dada por 597 pesquisadores do CNPq convidados pelo Datafolha a listar as dez melhores instituições de ensino na sua área de atuação. É um universo limitado, com presença forte de cientistas, que não sabe necessariamente o que se passa nas salas de aula.
É verdade que não há como estimar a qualidade do ensino apenas com dados objetivos (o Enade, por exemplo, é boicotado pela USP), mas o "RUF" limitou demais a fonte de avaliação.
No ranking, a Universidade Federal da Paraíba e a PUC do Paraná aparecem entre as 30 melhores do país, mesmo levando zero em qualidade de ensino -não foram citadas pelos pesquisadores do CNPq.
Já a "reputação das instituições no mercado de trabalho" foi acertadamente montada em entrevistas com 1.212 executivos de recursos humanos de 20 áreas, mas faltou ponderar a nota final. Uma universidade especializada em saúde concorreu com outra que forma administradores, advogados, engenheiros, além de médicos e enfermeiros.
A Unicamp, que não oferece vários dos cursos listados pelo Datafolha, ganhou a maior nota em inovação, ficou em segundo lugar em pesquisa e em ensino, mas recebeu dos profissionais de recrutamento uma nota muito menor que a da Unip (9,17 contra 16,38). Se fosse isso mesmo, a máxima de que a excelência em pesquisa e em graduação resulta em bons profissionais poderia ser esquecida.
O necessário aperfeiçoamento das métricas pode corrigir as distorções mais graves e também trazer novidades. Gastar tanto dinheiro e esforço para concluir que a USP é a melhor universidade do país é pouco. Isso todo mundo já sabe. Um bom levantamento, que revele ilhas de excelência, será mais útil aos vestibulandos e às discussões de políticas educacionais.
Mesmo com tantas ressalvas, o Ranking Universitário Folha é uma ótima iniciativa e veio para ficar. O jornal agiu bem ao dar espaço para as críticas e, segundo a Secretaria de Redação, mudanças serão estudadas para o ano que vem.
É uma boa notícia, porque a academia, que não gosta de avaliações e odeia comparações, precisa ser chacoalhada de tempos em tempos.
| Fonte: Folha de São Paulo - 10/09/2011 |
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Resolução estabelece atuação de comissões que utilizam animais em pesquisas
Renata Giraldi Repórter da Agência Brasil
Brasília – As instituições que fazem pesquisas utilizando animais terão prazo de um ano para adaptação a uma série de normas fixadas pelo Conselho Nacional de Controle Animal (Concea) para o funcionamento das comissões de ética. As regras estão publicadas no Diário Oficial da União, Seção 1, na edição de hoje (5). A resolução normativa fixa o funcionamento das comissões e determina o cumprimento de medidas regulamentadas há quatro anos.
O uso de animais em pesquisas é um tema polêmico e estimula debates no Brasil e no exterior. No Brasil, não há dados oficiais sobre o total de animais utilizados nas pesquisas. Porém, os mais utilizados são os ratos e os camundongos, seguidos de coelhos, hamsters e aves.
Pela resolução, as comissões de ética devem ter entre os membros médicos veterinários, biólogos e professores. Será cobrado um cadastro atualizado dos protocolos pedagógicos e científicos do órgão. O texto determina ainda que pode será paralisada e até suspensa uma pesquisa se houver irregularidade no uso dos animais.
O documento estabelece também que é possível substituir os integrantes de uma determinada comissão de ética de uso animal, se houver necessidade. Não esclarece que necessidade pode ser essa.
No Brasil, existem normas que fixam critérios para o uso de animais em pesquisas, como a que determina o número máximo de animais a ser utilizado. Não é permitido usar mais animais que o necessário, por exemplo.
O texto completo da Resolução Normativa 1, assinada pelo ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, pode ser obtido no endereço http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?data=05/09/2012&jornal=1&pagina=6&totalArquivos=132.
| Fonte: Agencia Brasil - 05/09/2012 |
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Expediente
Funadesp
Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior
Particular
Cícero Ivan Ferreira Gontijo
Diretor Superintendente
Redação: Renata Maria de Azevedo |
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